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  • Dr. Felipe Chediek

Doenças do couro cabeludo

Psoríase, foliculite, dermatite, micose, pitiríase, inflamação, essas palavras vocês já deve ter ouvido falar quando se trata de couro cabeludo. Mas há diversas outras doenças que podem acometê-lo e os sintomas podem ser parecidos.



Há doenças raras ou incomuns, por isso não dá certo olhar imagens nas galerias da internet e se auto-diagnosticar quando se trata da sua cabeça. Um diagnóstico preciso requer avaliação de outros pontos do organismo, de outros sintomas e um conhecimento específico na área da dermatologia que chama tricologia. Vou falar de algumas dessas doenças e contar algumas histórias que já atendi no consultório sobre consequência de diagnósticos mal feitos. (as imagens são ilustrativas, porém são do meu repositório particular e não autorizo o uso ou compartilhamento)



Esse caso de grande perda capilar foi causado por um tipo de alopécia não tão comum, chamado de líquen plano pilar. Descrito em 1985, o líquen plano é um raro distúrbio inflamatório que faz parte das chamadas alopecias cicatriciais (ou seja, perde o cabelo e no local forma-se cicatriz). De evolução imprevisível e provável origem autoimune, drogas, infecções, fatores genéticos e anormalidades imunológicas são descritos como possíveis fatores desencadeantes. É de extrema importância que o diagnóstico seja o mais precoce possível, porque depois de certo tempo fica cada vez mais complicado de se recuperar.



Já o acima é um caso de uma jovem que vinha há mais de 3 anos tratando sua condição clínica com outros profissionais. Tendo recebido diagnóstico de alopécia areata (doença auto-imune), ela recebeu diversas infiltrações de corticóide (por injeções no couro cabeludo), além de outros tratamentos sem sucesso. Esses tratamentos, pelo contrário, causaram uma atrofia da pele (depressão na área afetada), sem que os fios pudessem retornar. Trata-se, na verdade, de um caso de Pseudopelada de Brocq, considerada por alguns autores como uma fase final de algumas alopecias, embora estudos mais recentes apontam como uma entidade distinta, de causa ainda desconhecida. Faz parte do grupo das alopécias cicatriciais, ou seja, perde-se o fio de cabelo e o mesmo não se recupera.

E falando de alopécia areata, essa não é tão incomum, eu recebo muitos pacientes que têm ela, mas eu falei disso em outro post, específico sobre o tema.




Existe também chamada Tricotilomania. Uma doença que não causa queda de cabelos, mas a perda dos mesmos vem por uma compulsão de, literalmente, arrancar os fios, sendo então relacionada a psicológico, não a um problema orgânico. Trata-se de um comportamento, um hábito de puxar os fios, muitas vezes associado a quadros de stress, depressão e ansiedade. Sendo que o ato de puxar da uma sensação de alívio para a pessoa. É um problema mais comum, e perigoso, do que parece. Acredita-se que até 4% da população pode ser afetada (as mulheres são 4 vezes mais propensas a desenvolver o quadro do que os homens). Nos casos em que os fios arrancados são ingeridos (chamado de tricofagia), as complicações de saúde podem ser bastante severas, inclusive com risco de morte. Muitas sofrem caladas, tem um certo constrangimento. Importante saber é que tem tratamento e cura, sendo o auxílio do psiquiatra e do psicólogo fundamental. Tricotilomania não é frescura, não é “pra aparecer”, não é falta do que fazer. Tricotilomania é coisa séria.






E falando em queda de cabelo, detre os vários tipos, existe a alopecia frontal fibrosante, uma doença que vem crescendo a cada ano, acometendo, como o próprio nome diz a parte frontal do couro cabeludo, sendo que com o tempo a testa vai aumentando. Trata-se de um processo inflamatório lento que destrói a raiz do cabelo. As mulheres são bem mais acometidas, especialmente após a menopausa, embora nos últimos anos cada vez mais jovens tem surgido no consultório com esse problema.

No início de 2019 foi publicado um estudo no British Journal of Dermatology, no qual se discute que talvez haja uma associação entre a doença e o uso de cosméticos faciais (incluindo o protetor solar). É uma doença que atinge também as sobrancelhas com frequência. Seria um efeito acumulativo de longo prazo? Mais estudos são necessários para se ter uma melhor conclusão, sabemos também que outros fatores estão associados a doença, como a questão hormonal (pós menopausa e diminuição de DHEA, que seria um hormônio "protetor"). Fica o alerta para evitar passar cosméticos avançando no couro cabeludo.


Essas são algumas que deu tempo para escrever.



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